quinta-feira, dezembro 30, 2010



esse final de ano está sendo curiosamente diferente. esqueci de algumas coisas, alguns detalhes, algumas pessoas. que serão lembradas sim, antes que finde o ano. termino o ano com mais certezas do que iniciei-o. com certezas de alegrias que virão sempre, de amigos que virão sempre, dos amigos que se irão pra sempre - e que não voltarão não, de que existem pessoas que vão aparecer na sua vida pra fazer você crer, e te dar esperança, e te dar vontade, gás, luz. e isso vai ser bom. 
que na vida é importante mesmo ter fé, esperança, e acreditar sempre. ao contrário do que muitos dizem, a esperança nunca morre. a minha nunca vai morrer. 
o ano finda, e meu peito está cheio de alegria. meus olhos marejados quando eu penso, quando tenho certeza de que tudo vai dar certo, e eu não tenho mais medo. 
vou seguir assim. acreditando nas pessoas, acreditando na existência, na vida. e num novo ano. pra todo mundo. 


@azulrasgado

terça-feira, dezembro 21, 2010

Seis pedidos


E depois de estar envolto naquele universo onírico e atraente e ver-me sucumbir ao ostracismo rancoroso da tristeza, amarrei uma fita vermelha e outra branca no braço direito, saudando Iansã, com suas cores, deusa das paixões, e fiz seis pedidos para o amanhã que logo virá, pois afinal sempre vem: que eu não me perca, não ceda, não chore, não enlouqueça, mas beba e ame, com toda a intensidade de um coração que conhece o gosto raro de amar. E desamar. E amar de novo.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

You think love is simple. You think the heart is like a diagram...*

nunca fui de ligar muito pras coisas que visto. nunca fui de comprar roupas cujo significado seria senão o de não ficar nu. mas, entre um pensamento e outro, acabei lembrando de uma camiseta minha.

sorrateira e covardemente verde, tem uns escritos em cor branca na parte frontal (keep ur hands in me to keep myself free), e nada na dianteira. é lisa. é simples e, o caralho, intriga de alguma forma. por quê?!

a liberdade, embora aparentemente apresente significado nenhum nos dizeres dessa blusa, mais se assemelha a uma camisa de força para quão louca for essa tal ânsia por amor e abertura de mim homem, que passeio por entre a confusão de uma segunda-feira e a saída de uma sexta a brincar com a (não?) casualidade de uma vida inteira.

tão verde quanto o sinal verde que motiva e condiciona. tão de linhas brancas quanto as letras brancas de uma pseudo-paz que aprisiona.

mas, a vida segue, né?! segue.

por @m4theuzz---
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* p.s: “você acha que o amor é simples? você acha que o coração é como um diagrama?” – do filme ‘Closer’.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Coração de Pierrot

"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros”. Caio Fernando Abreu


Coloquei minha melhor fantasia e fui desfilar minha tristeza mascarada num semblante de alegria tão verossímil que acreditei mesmo estar feliz descendo a ladeira quente e dormente, os pés num sapato apertado, e um gosto de chiclete de menta na boca, eu tateava com os olhos nos passos que seu sorriso seguia, dando cambalhotas de euforia num meio de piratas, bailarinas, reis e rainhas. Meu coração de Pierrot é tão fraco e tão infantil, se perdeu nas cores da folia, e antes da quarta-feira de cinzas sucumbiu. Fantasiei-me de você, por me perder de tudo que era eu, virei sombrinha de frevo, uma valsa numa marchinha.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

e um dia ela se encantou com aquele jeito calmo, e achou que ele merecia um pouco mais de atenção.
e ela se chegou sem muitas pretensões. de vê-lo na sala, achou que podia, que devia, que era seu. e ele era simpático, do tipo 'aberto', e sobretudo atencioso. ria fácil e se interessava pelo que lhe diziam. e como achasse que aquele jeito calmo merecia mais atenção, deu.
e ela se encantou. e desejou saber mais sobre aquele que lhe despertava tal sentimento. se ele gostava de livros, se lia por prazer ou por necessidade, se ouvia Chico, Gil ou Caetano, ou música regional, se gostava de namorar no sofá, e quais eram as extravagâncias que nunca teve coragem de fazer.

não por paixão. não, não era paixão. mas por encantamento.

@azulrasgado

terça-feira, novembro 30, 2010

Nós nos doamos inteiramente um ao outro

“Não tínhamos pressa. Eu despi o seu corpo com cautela. Descobri, miraculosa coincidência do real com o imaginário, a Vênus de Milo tornada carne. O brilho nacarado do pescoço iluminava o seu rosto. Mudo, contemplei longamente esse milagre de vigor e de doçura.

Compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se dê. Ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si. Nós nos doamos inteiramente um ao outro.”

Carta a D. – História de amor, André Gorz

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domingo, novembro 28, 2010

Silêncios de uma tempestade

“Quem sabe isso passe
  Sendo eu tão inconstante...
 Quem sabe eu volte cedo ou
 Não volte mais...”
(Ana Carolina)

Um dia frio, um céu perdido em cinza(s). Fora: o vento! Incessante, cortando! Dentro: um algo que não defino! E que, no entanto, corta igual! Talvez um vazio, talvez uma espera que já não espera, talvez uma tristeza que já não consegue chorar, talvez uma dor que já nem sabe como sangrar. Há uma lágrima querendo acontecer, mas não encontra um jeito ( peito segura a chuva, coração contém a explosão!). Ponto-de-fuga-cego, a mesma música ainda, os mesmos erros também! Mas, tudo parece meio bobo agora. Quando o céu desaba silencioso não há como questionar tempestades. Não questiono nada então, deixo de procurar teus sinais, não me confundo mais. Deixo tudo como está. Fica tudo certo na aparente quietude de teus medos. Tudo previsto e ensaiado. Talvez se contente assim! Não eu! Não me satisfaço com essa coisa morna. Amor que desperdiça afetos, segredos impedindo o gesto, adiando o olhar. Dor pra mim tem que sangrar! Amor só serve se arder!. Porque amor por vezes dói, e têm horas que dói muito, aí não tem jeito, há de se deixar sangrar... Dói pela gente, muito mais pelo outro. Não dá pra simplesmente calar... Por isso, hoje eu saio!A porta permanece aberta, contudo não vou entrar (é saindo que estou...). A distância é a mesma, sempre foi e eu “estive o tempo todo aqui”, e  não vou dizer que “só você não viu”, porque sei que viu, notou e quis, maaaaas... É... Tem sempre um mas. Estou farta de mas! Não quero mas.  É o mais que quero! Não menos, não mas, MAIS! Complexo? Não! Simples assim! É chegada a hora de esvaziar-me além do vazio(esvaziar-me além de mim mesma), deixar de lado o que me tornei pra voltar a ser o que sempre fui. Preciso me sentir de novo, sangrar minhas dores, doer inteira até o fim. Preciso partir, enfim... Não de você! De mim! (Porque já não sangro e o sentimento é estranho...). Abandono-me então! Não abandono o sonho, tampouco você! Deixo-me perder nesse instante, pra quem sabe um dia me encontrar inteira de novo ! Sigo! Não sei bem por onde, ainda não diviso o caminho, pode ser que eu volte(só não sei quando, nem como,  nem se...)! Por agora apenas vou. E juro. Sem olhar pra trás! “ Por hoje não”! Ao menos hoje não vou olhar pra trás...

por Cris Luz

quarta-feira, novembro 24, 2010

de paixão


por isso falo tanto de paixão.
de sentir a carne tremer. o coração bater forte sempre, como se fosse sempre a primeira vez. de seguir sem medo. ah, sem medo...
por isso falo também de tesão. de querer sentir a vida dentro. pulsando.


em 22 de maio de 2010.

terça-feira, novembro 23, 2010

Sou mais aquilo que em mim não é


Sobre a noite passada apenas a lembrança de um sonho. Desejou o abraço que nunca teve, o beijo que nunca sentiu, o encostar de pés na noite quente que ainda não aconteceu. Queria ligar para contar que finalmente o viu passar numa praia cheia de gente vazia, um olhar rastreando os espaços, a íris contrastando com o intenso azul do mar e correu ao seu encontro e não agüentou tanta emoção, acordou chorando. E quis realizar esse sonho numa rapidez transversal, pensou em sair e comprar uma passagem, sem destino, sair por aí, sorrateiro, aleatoriamente, e parar na frente da sua casa, tocar a campainha e esperá-lo de braços e sorriso abertos.

"Toda a parte mais inatingível de minha alma e que não me pertence – é aquela que toca na minha fronteira com o que já não é eu, e à qual me dou. Toda a minha ânsia tem sido esta proximidade inultrapassável e excessivamente próxima. Sou mais aquilo que em mim não é." Clarice Lispector in A paixão segundo GH

segunda-feira, novembro 22, 2010

cara estranho

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não, não vai ser ninguém. minha vida não precisa dessa sacudidela gratuita. podem até tentar. todavia, se guardo esse caos dentro de mim, ano após ano do mais absoluto silêncio, é justamente para não ter de acatar dizeres os mais sem razão sobre minha pessoa, embora estes, acaso ditos, invadam meus tímpanos e, em vão, sequer estrago cause. há quem desconfie e deixo que assim o seja. caio na esparrela.  faço estripulias, saboreio o gosto de fel mais doce que me oferecem, simples, prático ante os sucedâneos cotidianos, e assim por diante: despudoradamente matando cada palavra, cada vírgula, sujeitos que não eu, predicados não meus, cada ponto de continuísmo e os finais. catarse! por isso, também não sou quem dirá sobre o alheio. não quero, não preciso. isso não me cabe. cada um faz festa no coração da melhor maneira que lhe aprouver. e se me perguntam?! falta-me intimidade para soltar verdades das mais verdadeiras… daquelas com as quais se brinca, desabafa sem se preocupar com o impacto que causará. não me dou ao luxo de perder-me de mim: infelizmente. sou estranho. é…

quarta-feira, novembro 17, 2010

essa semana estive estranha. um tal de um sono da muléstia. uma fraqueza tentando ser força. me debatendo. desabando. levantando. me querendo bem. e inconstante. me irritando por tão pouco.. desistindo por tão pouco... me entregando por tão pouco. aí vem os recados que eu ignoro. “Se cuida”. já disse que não gosto. “Se cuida” é desleixado, desdenhoso. Insistentes. a Jô pergunta-me se esta tudo em paz. a Jô mal me conhece. não, não está tudo em paz, mas não vou dizer isso a ela. no fim ela adiciona: Cuide-se. tinha carinho e cuidado nessas palavras. pra mim foram bem inspiradas. sabe aquela inspiração que vem dos céus? sim, essa mesma. me dizendo pra cuidar de mim.
cuidar do meu sono, do meu cansaço. cuidar dos meus afazeres, das minhas leituras, dos meus estudos. cuidar pra minha mente ficar sadia, pra o meu coração não ficar fraco, nem triste. eu precisava desse cuide-se. pra perceber como os cuidados vinham sendo poucos.

@azulrasgado

a foto faz referência a Sophie Calie, por conta do seu trabalho que tem como título "Cuide de você".  

em abril de 2010. 

terça-feira, novembro 16, 2010

Sobre a dor


Se eu sigo seus passos e firo meu coração, há uma parcela de culpa minha, mas que também é sua. Não que eu esteja delegando a você toda a responsabilidade de manter um coração partido, destruído. Eu não seria tão leviano. Mas diga-me olhando em meus olhos – para que eu tenha certeza que você não se perde no vazio da inexpressividade – se é justo sufocar uma dor que foi causada por outrem?

“Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
 Eu sei não é assim, mas deixa eu fingir e rir.”
Sentimental, Los Hermanos

Por @juniorcreed

quarta-feira, novembro 10, 2010

não corra

as placas sempre me diziam. sempre me avisaram. as vejo.
placas de trânsito dizendo: não corra.
meu professor de violão me disse: "não corra, dedilhe devagar". meu amante em uma noite dessas me disse: "pra que tanta pressa, amor?"

devagar a gente sente. se sente. se percebe. e aos outros.
devagar dá tempo de apreciar a paisagem, pensar melhor num problema, escolher melhor um presente. devagar a gente aprecia melhor o gosto da comida; a gente pensa no outro, a gente saboreia um café, olhamos - mergulhamos - nos olhos de amigos.

todas essas palavras são, pra dizer, em alto e bom som, pra que eu não esqueça mais: não corra; é um aviso, conselho, tome como preferir. mas não corra.

@azulrasgado 

terça-feira, novembro 09, 2010

Como peças de um quebra-cabeça


Ainda dava para ouvir a música que tocava distante quando deitei na sua cama e, pela penumbra, acreditei que estávamos vivendo um momento que poderia definir os outros possíveis momentos, todas as possibilidades futuras, todas as adequações. E qual não foi a minha surpresa ao perceber que nossos corpos se encaixavam como peças de um quebra-cabeça de duas partes iguais. Era a constatação da minha expressividade enquanto estendíamos nossas almas, compartilhando-as como barcos à deriva num oceano chamado desejo.

@juniorcreed

segunda-feira, novembro 08, 2010

Half Life in Full Circle...


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Tudo: fragmentos...
Nenhum riso
Parou de falar-me no violão
E não mais me devolveu
A paz.
Trancou-se entre quadro paredes
Alimenta ilusões
E pelo menos ali pensa ser grande.
Ensimesmou-se,
Ficou
Com seu
Vazio.
Mudou freqüentemente de disposição
Talvez, disse coisas que não era de sua vontade...
Inventou desculpas
Pretextos...
E transformou-me mais do que quaisquer pessoas
Afogou-me no álcool,
No sexo.
Limitou-se a existir:
Deixou de viver.
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p.s: imagem - Duy Huynh, Half Life in Full Circle

terça-feira, novembro 02, 2010

Par romântico


Será que você vai esperar o dia em que nossas estradas se encerrarão num único caminho, e uma viela cruzada vai traçar passo-a-passo uma linha que levará minha alma à sua?

Porque hoje eu acordei pensando que “meu coração é como beijo de novela” e você é o meu par romântico.


@juniorcreed

terça-feira, outubro 26, 2010

Sobre a espera

Recordou a situação quando o dia amanheceu frio e esperou o sol pacientemente visualizando o desejo ascender como raios luminosos. Poderia, como naquele dia, esperar o amor. Consciente, rejeitou o rótulo exagerado da paixão e disse para si mesmo: que eu não consiga me perder nesse emaranhado de sensações peculiares e surpreendentes, dúbias, extremadas...

quinta-feira, outubro 21, 2010

Medo.

o Grito Munch









Medo de ver a polícia estacionar à minha porta.
Medo de dormir à noite.
Medo de não dormir.
Medo de que o passado desperte.
Medo de que o presente alce voo.
Medo do telefone que toca no silêncio da noite.
Medo de tempestades elétricas.
Medo da faxineira que tem uma pinta no queixo!
Medo de cães que supostamente não mordem.
Medo da ansiedade!
Medo de ter que identificar o corpo de um amigo morto.
Medo de ficar sem dinheiro.
Medo de ter demais, mesmo que ninguém vá acreditar nisso.
Medo de perfis psicológicos.
Medo de me atrasar e medo de ser o primeiro a chegar.
Medo de ver a letra dos meus filhos em envelopes.
Medo de que eles morram antes de mim, e que eu me sinta culpado.
Medo de ter que morar com a minha mãe em sua velhice, e na minha.
Medo da confusão.
Medo de que este dia termine com uma nota infeliz.
Medo de acordar e ver que você partiu.
Medo de não amar e medo de não amar o bastante.
Medo de que o que amo se prove letal para aqueles que amo.
Medo da morte.
Medo de viver demais.
Medo da morte.

Já disse isso.

RAYMOND CARVER

Folha de São Paulo
tradução CIDE PIQUET 

terça-feira, outubro 19, 2010

Era amor...


Escreveu uma carta e beijou o envelope no final. Desejou ir ali dentro, em miniatura e tomar forma humana quando se abrisse o envelope. Não poderia fazer isso, era sonho demais. Rasgou tudo em pedacinhos e o vento levou minúsculos recados ao destino. Um dia tudo vira pó, mas ainda assim vai valer a pena ter escrito uma história.



@juniorcreed

segunda-feira, outubro 18, 2010

O amor tem uma mão só (texto por Xico Sá)

Nossa Sra. dos que Amam Sozinho ou amam mais que o outro, perdoa-me pela insistência, nem mais é por tanto querê-la, é por deixar claro, mão que sopra das intimidades dessa oração, que só ela me faz passar da conta, perversa, me faz cair no abismo mais lindo do gozo sem volta, como naquele encosto de beira de estrada, como na rodovia estrangeira de Sam Shepard, crônicas de motel, simbora!

Nossa Sra. dos Que Só Pensam Nela, cotovelos lanhados de tanta espera, tantos sustos nas ruas, nos bares – é ela!!!

Nossa Sra. Dos Cotovelos da Surpresa e das Janelas, tão gastos, cinzas, peles, dobras, e tanta fome de viver aqui dentro, megalomaníaco, épico, terá sido a força do desprezo???

Não creio, sr. Albero Moravia, meu guru de tantos conselhos amorosos. … Mesmo a paudurescência, nostalgia precoce das grandes histórias, o tempo inteiro, pensando, pensando, pensando, mas no fundo gostas!

Os joelhos lanhados pela romaria, devoção e insistência.

Nossa Sra. da Vida Alongada que consegue, nos seus exercÌcios de Kama Sutra, me levar à coisa mais sagrada. Nossa Senhora da Yoga que deixa o corpo dela como nunca dantes na história dessa pátria!

Amor demorado, anjo exterminador da alcova sem pílulas milagrosas. Amor por tê-la, rara. Beijá-la delicadamente, como um católico que dissolve na boca uma hóstia ou um evangélico que fala a língua de pentencostes.

Amar por horas, riachinhos d’águas que não se sabem donde, cada cantinho dum mapa que se inventou só pra se perder depois. O sentimento é a verdadeira bússola dum homem, perdido docemente lá embaixo, lá embaixo daquelas tuas vestes modernas que nunca te escondem.

Lua cheia, vida crescente.

Nossa Senhora dos que sentem muito e amam sozinho, rogai por nós que recorremos a vós!

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p.s: sem tempo.

terça-feira, outubro 12, 2010

Um Stonewall em meu coração






Fatigado de ilusões tardias, tão longas e tristes, chorou com um semblante límpido de desapego, lembrando de um conto antigo do Cortázar. Deduziu, da maneiras mais serena possível, que o mundo cabia na palma da mão e a vida não cabia nas páginas de um livro. Estava, finalmente, livre.




Por @juniorcreed

segunda-feira, outubro 11, 2010

Devo seguir até o enjoo?!

se hoje somos novamente raízes, folhas ou espinhos do amor de uma ex-flor, sussurro das pétalas que passaram sem passar, das pétalas que passaram sem se aproximar, das pétalas que, por um momento, deixamos de saber, algum dia fomos estranhamente rosas híbridas e cultivares, qual divino encanto no topo enigmático de nossa beleza e soberba, nascidas para despetalar de qualquer maneira. desabrochando sorrindo morrendo sonhando sermos vistas e regadas pela mais pura alegria, longe das raízes, das folhas, dos espinhos, culpando-nos às vezes por sozinha despetalar ou morrer, sendo novamente raiz, folhas, espinhos... se aprendemos?! não aqui. Devo seguir até o enjoo?!*
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p.s: *drummond

quinta-feira, outubro 07, 2010

A letra da dor

Margritte-os amantes



A melancolia nada mais é que uma recordação inconsciente.

(Flaubert)



o que ocorre é o seguinte:
X não ama ninguém,mas se apaixona muito e não é correspondido.
entretanto como na vida tudo acontece há um Y que o ama(ou pensa),quer dizer,supostamente o ama,indica que está mais para paixão do que propriamente amor.
X fica louco quando isto acontece,de se apaixonar desmesuradamente;Y nem tanto,ela,muito romântica,sorri mesmo sofrendo.
acontece que X conheceu Z,em uma noite de sexta,em um bar e chovia naquele dia e X quis,no momento que viu Z,entrar carnalmente nela,quantas vezes forem necessarios ate explodir
X é hedonista e Z também,mas esta não o acha atraente o suficiente para permitir que ele a penetre.
e muitos orgasmos pretendidos por X não ocorrerão
ah,X e Y fornicaram três vezes
(o tesão deve ser recíproco,este é um princípio moral,nas nights)
X ,não se sabe muito ao certo,conheceu Y por ser filha de uma amiga de sua mãe ou filha de qualquer mãe
na verdade,para X,pouco importa de onde vem Y
X escreveu um poema para Z ,declarou,via email:

não,não,é ridiculo demais para ser escrito aqui,o poema,mas ao final do mail,ele disse:

(...)ultrapassou a carne.
ass: X

Z
para Z é indiferente os sentimentos do X,pouco importa.porque,para ela,importa sentir prazer com W,U,L,R ou todos as letras do alfabeto,inclusive,o aramaico
Z também sofre mas não tem consciência disto:ELA RI DE TUDO.
Z precisa de amor,mas nao aceita a construção.É anestesiada pelo instante,por isso não gostou muito,quando X a presenteou com um livro de Kafka cujo o personagem,Gregor Samsa acorda desesperado.
Pegou muito mal,sob análise de Z,este livro do X.
Y
uma mulher que poucos homens se sentem atraídos,a não ser se conhecê-la bem
Y quer assistir a Annie Hall com X ou qualquer filme que,para ela,é importante
a videoteca de 37 dvds,todos continuam "virgens" à espera de X
X,Y tem muito em comum 
X,Y,Z,tem mais em comum ainda
seria perfeito se um amasse o outro em uma brincadeira de roda,porque todos se amariam
Y se atirou do 11°andar,andava angustiada com o dente inflamado e foi ao dentista e antes da consulta decidiu se atirar do 11°andar. e não escreveu carta e seu milésimo segundo de vida pensou na sua mãe-ja que não tinha- e no seu amor não correspondido por X e tbém na sua videoteca
muitos pensamentos para um milésimo de segundo de vida,pensou Y
 X
o mundo é um filme pornô onde os atores não fazem sexo...todos impotentes e amarrados com acessorios de sado-masoquismo
X começou a sofrer com a morte de Y não porque ele poderia ter correspondido,mas pelo fato de sentir o que ela sentia: a necessidade do outro "olhar" e fazer com que se sentissem que ambos existiam.
X chorou muito,com desespero
Epílogo
X de um lado sentindo-se amargo e Z ,do outro lado,sentindo um orgasmo com a letra beta,o qual acabava de conhecer há duas horas.


Raphael Marques

terça-feira, outubro 05, 2010

De quando eu busquei seu olhar ouvindo Nara Leão


Para Isadora Mozzer

Alguma coisa nova que faça algum sentido, que me perca em doses com Special K, que não seja tarde demais, que eu não me arrependa, alguma coisa que me surpreenda, meia noite, noite e meia, dia e noite, algo que me conceda paz de espírito, sem cor, nem ordem, ódio ou equilíbrio, algum amor carente, mas sem suplício, alheio, corações ilhados, alguma coisa que me faça mudar de opinião fácil, que eu mude as idéias e os fatos, alguma canção antiga, velhas roupas desbotadas, fora da rotina, alguma coisa sua, alguma coisa nossa, alguma coisa bossa nova.

terça-feira, setembro 28, 2010

Brilho eterno

Eu poderia chamar seu nome no escuro que tende a nos proteger ou nos camuflar, mas prefiro chamá-lo no claro da luz que brilha incessantemente para nós dois, assim vejo-o sair em palavra de dentro de mim e ganhar a imensidão na minha frente.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Cotidiano sem rosto.

principio do prazer -Magritte







corriqueira sensatez
quis fazer loucura-ou tomado pela impulsividade,algo diferente- decidiu escrever cartas dizendo a ela,a sua musa,seu interesse pela vida.
na verdade,um diário,que não fosse insosso incrementado mais por aventuras e observações poéticas.
comentou sobre seu gosto de filmes em p&b e também dos seus cineastas preferidos.
escreveu,de uma forma exibida:
"sabe aqueles filmes que ninguém vê?"
acreditava que ela não sabia,como também não sabia que fazia loucuras e com ela seria mais uma.
.
 transcorreu a página amarela até encontrar um parente seu,do mesmo sobrenome.ligou e atendeu uma senhora, depois descobriu que era a sua tia.solicitou a possibilidade de enviar correspondência e entregá-la.

que senhora simpática,pensou.

amar,de forma platônica,é a forma mais cruel deste sentimento,não por ser uma ilusão,mas por criar expectativas da forma do anonimato.
sentir que é anônimo em um mundo de informações,mesmo que sejam informações em forma de lixo eletrônico,angustia qualquer um.

tomou consciência de que era rei,tinha poderes,através das palavras,dos sentimentos e percepções que ele julgava necessário compartilhá-los.
lembrou-se de que um dia escreveu:

eu não tenho rosto,eu sinto prazer quando te vejo.
e não sinto nojo em existir

incoerente também nas palavras.não entendia muito o que escrevia,então só podia ser amor.e para matar as saudades dela escolhia pessoas ao relento,no trabalho,e imaginava que fosse ela.
às vezes sorria e sua interlocutora não compreendia bem.

às vezes,para matar saudades,escolho pessoas e finjo ser você.

e ela nunca respondeu a nenhuma carta ou mail.


@raphamarques




quarta-feira, setembro 22, 2010

Parque de diversões

Foto: Google

 Amor é parque de diversões.
Precisa ter graça, muitos sorrisos, maçã do amor dividida, friozinho na barriga na descida da montanha-russa dos prazeres, uma mão segura quando a roda gigante da inquietação para lá em cima e tudo começa a balançar.
Se não for divertido e ao mesmo tempo seguro esqueça, NÃO É AMOR! 

Por Lini Ribeiro

terça-feira, setembro 21, 2010

Contínua perversidade


Você gosta de coisas apelativas, filmes pornôs e analgésicos. Diz ter dor de cabeça para não fazer sexo hoje, mentiu ontem também quando fingiu orgasmo e toma banho de porta fechada, dorme no banheiro, tem olheiras indisfarçáveis. E eu fico quieto aguardando o momento certo para discutir a nossa relação, coisa boba, conversa chata, idiotice. Tem tanta gente querendo se encontrar e eu me perco fácil em você, nas mentiras que me conta, nas suas tensões pré-sexuais. Você se esconde sob o som alto num fone de ouvido, nem me escuta mais. Eu estou cansado de amar sozinho. Eu estou cansado de olhar para trás.

Permito-me apenas insistir, pensando que talvez o que resta aos sonhadores é a ilusão da possibilidade.


Por @juniorcreed

segunda-feira, setembro 20, 2010

mas, eu te amo.

fica comigo. eu amo seu cheiro, seu beijo, a maneira como me toca, até seu falar errado. eu e somente eu sou pra você. prometo ser mais paciente. prometo ser menos ciumenta. prometo suportar suas conversas etílicas, seus gastos injustificáveis de dinheiro, sonhos e provocações. prometo te deixar entrar sem pedir licença. mas, fica comigo. sem dor, sem medo, como todos os dentes, com toda a saliva. com todo o teu amor. com todo seu ego inferior. feito para o meu amor. amor que se não for amor é uma atividade avançada de paranóia. mas, eu te amo. à minha maneira. só isso: fica comigo?!

(...)

o número chamado está desligado ou não pode receber sua ligação nesse momento.

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quinta-feira, setembro 16, 2010

Peremptório.

     mulher que chora Picasso



"que seja doce por um dia e amargo a eternidade.eu não sou infinito,eu sou hoje."
Penso.Indago.Regurgito:
vale a pena?
-sim,sim...
a minoria ,dentro de mim, grita

ao som do "where is my love" de um coral pequeno,em uma área minima esvaziada, porque a plateia,em tédio espetacular,cansou-se
tenho em mim a dúvida:
peremptório é um desejo não saciado?

where is my love está na boca de outro a sorrir feliz,nem adianta beijar o vento com a esperança de lhe tocar o semblante...
olha o comportamento de quem ama:
observa para que direção o vento persegue o horizonte,fecha os olhos,esprema-os,abra-os com o desejo pedido;beija as palmas das mãos e assopre em direção a uma brisa ficticia...alivia,sim?
alivia sim pensar que o semblante da amada será tocada por esta brisa
como uma carta dentro de uma garrafa posta no mar com o interesse de uma fada,do outro lado do continente,encontrá-la e  chamar para viver um amor
esperança esquálida!
seria melhor pensar que esta mesma fada estivesse de calcinha e fosse uma sereia sem o rabo de peixe
seria melhor tantas coisas para quem sonha e que a realidade não existisse
seria melhor deixar para lá....
a quem não consegue disfarçar a dor mesmo a sorrir exageradamente.

e perdido nestes encontros/desencontros e com fome,será que vale a pena?

-sim,sim...
a minoria ,dentro de mim, grita

e...peremptório é um desejo não saciado?


@raphamarques

terça-feira, setembro 14, 2010

Latência


Com sabor de fruta mordida aquele amor me nutria e não me desprender nunca mais daquela redoma – seu abraço – capaz de me proteger das mais compulsivas mazelas era meu ideal apolíneo-dionisíaco. Pensei, assim distraído, que aquele ambiente favorecia momentos mais íntimos e fizemos algo que, só soube depois, chamar-se amor:

 
“A latência pulsava leve, ritmada, ininterrupta. Todos eram tudo em latência.” *

 
Quando finalmente entrou setembro, como disse naquela canção**, vi abrir as janelas do meu peito e fazer dali uma morada eterna para o meu bem tão precioso e sincero. Por agüentarmos a frieza de junho e julho, nas nossas solidões ambíguas, sem verso e prosa, dos dias longos e sem graça, agradecemos àquela força do momento que nos enredava devagar e nos presenteava com as nossas presenças – tão únicas – comungando do néctar das almas, não mais desertas, um do outro.


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* Clarice Lispector in “Onde estivestes de noite”


** Sol de primavera – Beto Guedes

segunda-feira, setembro 13, 2010

metamorfoses e derradeira canção...

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sozinho em silêncio. então o mundo se apresentará desmascarado. em êxtase, se dobrará sobre os seus (nossos) pés e limparemos desilusões empoeiradas. entenderemos emoções desvairadas, curiosidades, súplicas. afinal um segundo momento, quiçá, seja duro demais pra ser esperado ou não mais existir.
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(kafka*)

domingo, setembro 12, 2010

"Então continuamos fingindo..."


"Love is a flame that can't be tamed,
and though we are its willing pray, my darling,
we are not the ones to blame..."

Pretending - H.I.M.



São tantos arrepios e sorrisos escancarados,

Seguro a boca, a roupa, e a idéia louca
De arrebatamento que vem agora.

Para que me regresse à lucidez,
Disfarço a avidez, a febre noturna e a sede,
Permaneço taciturna.

Dependurada no varal dos teus desejos,
Sou tua veste desgastada e estimada, não largas,
Queres bem rente ao teu peito.

Caprichoso nosso orgulho,
Beberagem de dois tresnoitados
Vivendo o prazer do desperdício.

Eu finjo não saber quando estás por perto,
E tu finges não saberes que eu sempre sei.
Minha frieza lânguida é ironia,
Seu sumiço é charme, pura picardia.


Por Luísa Soriano
@lous_


quinta-feira, setembro 09, 2010

Dreams e pêssegos com caldas amargas em um quarto de hotel.

Hotel Room,Hopper

Um homem é um gênio quando está sonhando.
Akira Kurosawa


SONHOS

na expectativa de vê-la aqui,ao fazer caretas,à minha frente burlesca e receptiva às minhas carícias,ponho-me a sonhar acordado,oh garota infernal, meu sonho mais prazeroso,um dia a sentirei pele a pele os teus poros a dilatar por mim e assim farei valer essas presunções.  De um porco que engorda com a solidão,esmera toques ao vazio,lê "amor nos tempos do cólera",escreve poemas desconexos e anda da cozinha para o banheiro,combinado com a cama sem colchão,sem travesseiro,sem perfume,sem o chão amostra,triste,no meio do meu quarto,eu e só e um talher(colher de chá).

REALIDADE


onde está meu amor? talvez nos lábios de outro,a pensar em outro,a sofrer por outro,todo o outro que não está em mim mas se soubesse por onde andas meu amor, as cartas enviadas ao endereço errado,estas cartas e eu,em um mesmo envelope,em letras grandes,gigantes como o meu desejo,salivante,por ti:

NEVASCA, NÃO PERDER CONTATO.
NAO CREIO NA VIDA ALÉM DE HOJE,NÃO É PLATÔNICO.
O REAL É TE QUERER,MUITO QUERER...LEMBRA-SE DE MUITO LIQUIDO A SER EXPELIDO AGORA,EM MEU CORPO DA VONTADE ESCRAVA DE TI.
VOCÊ É O MEU TWISTER,MEU PREFERIDO EXISTIR.

ASS:ALGUÉM QUE VOCÊ OUVIU POR 1:33MIN ININTERRUPTOS

O SOBRENATURAL LATENTE DE MENTES IMUNDAS


após sonhos e pêssegos ,a TV ligada,com a colher de chá ao lado,um livro inacabado,relógio e tic-tac(digital bem antigo),quadro cuja tinta desgastada pelo tempo,com ranhuras. As ranhuras,na tela, era do sol de verão.não era uma pintura feia,era uma simples realidade;havia flores,que estavam dentro de um vaso negro e o sol,encardido,parecia ter sido bem límpido...parecia mesmo um quadro do Hopper,esperanças corroídas...faltava o livro. Uma mente imunda para o quarto insólito e a nevasca não parecia querer acabar,porque estava tanto lá fora como aqui dentro de mim. Peguei o livro,a colher de chá e enfiei dentro do pêssego,parti-o em dois .o inteiro à metade,pensei.e comecei a chorar.
 
 
 
Raphael Marques

quarta-feira, setembro 08, 2010

Luz das velas

"O amor prefere a luz das velas. Talvez porque seja isto tudo o que desejamos de uma pessoa amada: que ela seja luz suave que nos ajude a suportar o terror da noite. Sob a luz do amor que ilumina modesta e pacientemente, o escuro já não assusta tanto. É noite de paz!
Rubem Alves em "As Velas"

Lini Ribeiro

terça-feira, setembro 07, 2010

Incandescente



“Tem um aviso na porta do meu coração:
Quem não dança conforme o ritmo da casa, não perca tempo tocando a campainha."
Maria Bethânia no show “Drama – Luz da noite”


Como se um fosse cópia do outro e essas cópias se unissem e desejassem o contato somado, somando. E nada mais restasse ao tempo, ao vento, às dores, as cores. Esqueceria fácil da existência fora daquele quarto, de um mundo além da porta. Serenava nas nossas costas largas, um orvalho salgado para uma sensação doce, comungar do prazer do outro, das dobras da pele, apagando o fogo com o suor que minava da incandescência máxima do limite do prazer. Dormir junto e amanhecer a cada instante. Os pelos do peito forte em total sincronia com a aura, luminosa, que concebia ao simples toque de seus dedos em minha nuca, um choque de idéias que, assim como a calada da noite, trazia um mistério inebriante.

Pareceu cena de novela assisti-lo acordar nu em minha cama grande, um corpo igualmente grande, tão igual ao meu, em detalhes diversos.



Por @juniorcreed

segunda-feira, setembro 06, 2010

era ela.

o corpo. o movimento. o jeito. o pensar. suas imperfeições e demais defeitos. "é ela..."

durante e após o banho, estava decidido a não se importar com os que se metem a pensar demais o amanhã com o mesmo recato das missas de domingo. não era porque ela tinha uma maneira especial de amar pelo avesso ou fingia certos sentimentos que não poderia merecer o amor das estrelas. ora, todo mundo sofre, todo mundo ri e chora. quem não finge, afinal?! e ela, ela parecia sentir mais que os outros, com uma obsessão quase indecente de não se desculpar ou não sentir culpa por haver peremptoriamente guardado na caixinha das recordações as coisas mais banais.

"é ela que amo tanto..." beijou-a. fechou a porta e partiu, assim. ainda aceso por dentro, por fora, com o cheiro do cigarro e do corpo dela suaves impregnado nas narinas. um mundo esperava-os lá fora.
(...)
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por @m4theuzz