terça-feira, dezembro 14, 2010

Coração de Pierrot

"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros”. Caio Fernando Abreu


Coloquei minha melhor fantasia e fui desfilar minha tristeza mascarada num semblante de alegria tão verossímil que acreditei mesmo estar feliz descendo a ladeira quente e dormente, os pés num sapato apertado, e um gosto de chiclete de menta na boca, eu tateava com os olhos nos passos que seu sorriso seguia, dando cambalhotas de euforia num meio de piratas, bailarinas, reis e rainhas. Meu coração de Pierrot é tão fraco e tão infantil, se perdeu nas cores da folia, e antes da quarta-feira de cinzas sucumbiu. Fantasiei-me de você, por me perder de tudo que era eu, virei sombrinha de frevo, uma valsa numa marchinha.

Um comentário:

{Mari Gondim} disse...

"Fantasiei-me de você, por me perder de tudo que era eu..."

Quantas vezes a alma de quem ama, assim com sua própria personalidade, se confunde com a da pessoa amada... Quando acontece, esse é o momento ir embora, buscar-se, ver se talvez se encontra, levando em conta o tempo em que esteve perdido.