segunda-feira, agosto 15, 2016

Mesmo por amor



Mesmo por amor. Palavras complicadas. Um gole de café, amargo e quente. Mais amargo que quente, mas penso que a vida é assim mesmo, uma mistura de amargor, com um gosto doce no final. Mas há quem diga, que sem o amargo o doce não pode ser tão doce. E eu acredito, aproveitando assim um pouco mais do sabor das coisas, sabendo que então, tudo melhora uma hora dessas qualquer, quando a gente deixa de vigiar o coração e sente-o apenas bater. compassado e calmo, como deve ser.

sexta-feira, julho 15, 2016

Futuros Amantes







"Eu tava mexendo no violão, começando a fazer a melodia, e a primeira imagem que apareceu foi exatamente esta: uma cidade submersa, isolada de tudo. Porque, cantarolando, parecia que a música queria dizer isso. Eu tinha que ir atrás da explicação dessa cidade submersa. Aí eu coloquei os escafandristas, e surgiu a história de um amor adiado, um amor que fica para sempre. Essa idéia do amor como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça. Passa-se o tempo, passam-se milênios, e aquele amor ficará até debaixo d’água. Um amor que vai ser usado por outras pessoas, um amor que não foi utilizado porque não foi correspondido, e então ele fica ímpar, pairando… Esperando que alguém o apanhe e complete a sua função de amor."



Sábios em vão tentarão decifrar o eco de antigas palavras, fragmentos de caras, poemas, mentiras, retratos: vestígios de estranha civilização.





Retirado daqui.

domingo, maio 08, 2016

Um gosto remoto das pitangas


No mesmo momento que os acordes do piano começaram a se repetir frenéticos, sem medo algum nossas bocas abertas se procuraram. Houve nas línguas um gosto remoto das pitangas que colhíamos no caminho para o rio, depois o fresco abraço das águas envolvendo nossos membros, as gotas das lágrimas que eu bebia uma por uma ganhando lentas o mesmo gosto claro das pedras mergulhadas na sombra, poças de sol entre as quais brotava vez que outra uma descuidada flor amarela onde pousavam borboletas, essas de asas azuis transparentes, debruadas de ouro, então emergiríamos da água doce abençoados por ninfas e devas pisando descalços na terra quente de sol para subir a encosta cheia de espinhos até a cerca de arame farpado separando o abismo do caminho cercado de hibiscos que conduzia à casa de portas e janelas todos os dias escancaradas, porque era para sempre verão, em torno da qual nunca houvera nem haveria cães furiosos, latidos transformados nesse gosto vermelho de pitangas, salivas misturadas, quase negras de tão maduras. Quis dizer a ele que voltariam as manhãs, ainda mais claras agora que estávamos juntos, voltariam sim as claridades, o calor das tardes sobre a terra coberta de verde e também os crepúsculos de nuvens roxas e rosadas colorindo o cume dos montes, e mais tarde as noites embaladas por flautas, cetins, brisas com cheiro de mato varando as frestas das vidraças, se não para sempre, acho que disse, por muito tempo, por tanto tempo, tão longo, tão fundo, que será como para sempre, Ricardo, como se finalmente disparasse minha seta incendiada em direção às estrelas, trazendo-te junto comigo, porque brilharemos ambos de fogo, mais que o teu sol, a caminho dos meus inúmeros satélites girando no infinito.

Caio Fernando Abreu – Triângulo das águas

segunda-feira, julho 06, 2015

A sós


"Hoje eu fiz do teu corpo uma ponte pra eu me jogar, pra me perder, fantasiar..."
(Filipe Catto)

domingo, abril 26, 2015

Nós


A boca dele.
O beijo dele.
Eu e ele.
Nós.

Nós cegos de amor.  

sexta-feira, novembro 07, 2014

Sonhos

Recentemente minha querida mãe quebrou o fêmur. Como todo o processo foi rápido (Graças a Deus), nós passamos 4 noites no hospital, sendo uma delas na emergência. Depois desses dias, sonhei umas vezes com o hospital. Sonhei que passei muitos dias por lá, e acabei fazendo amigos. E alguns desses amigos eram os cães que  moravam lá (sim, algo surreal, porque na realidade, o hospital não abriga cachorros). Em um dado dia, em que eu passeava por eles tranquilamente, eles resolveram me atacar. Correram até mim com essa intenção, e eu não entendia porque cachorros que até então tinham se dado bem comigo, mudaram de ideia, e passaram a ter a intenção de me machucar. Fui salva por alguns funcionários.
Eu fico encucada com sonhos, mas eu deveria mesmo ter jogado no bicho. Por outro lado, penso que esse sonho pode ter a ver com relações onde a confiança se quebra, onde há traição, e você não entende muito bem, o porque de as coisas terem tomado rumos tão estranhos. 

domingo, outubro 26, 2014

Eu disse que os dias passaram tal qual inferno astral. Apressados, cheio de detalhes que eu não percebi, cheio de coisas que abandonei, cheio de sorrisos que eu não dei, olhares que eu não troquei, gentilezas que não fiz; mas cheio, cheio das lágrimas que eu chorei, em todas as praças da cidade, todos os cantos, todos os bancos, enquanto eu divagava ao sol do meio dia; meio dia esse, que cheirava a azeite velho no tacho da baiana.