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segunda-feira, dezembro 19, 2016

No Dendê



Pôr do sol, as árvores balouçando no quintal, aquele barulho que se confude com o barulho das águas vindas do céu. Ele conversa e conta histórias. Ela toca violão. Ele trabalha e relembra tempos mais antigos, outras cidades, bairros, caminhos. Ela sorri, pensa e toca. Nossos olhares encontram-se, cheios de cumplicidades. Eu observo silenciosa. Penso na riqueza que há em estar nesse quintal cheio de mangueiras e jaqueiras, a maresia, o bairro que se chama dendê, os nossos sorrisos, cai a tarde que é sem fim, essa hora do dia que me traz tanta paz, tantas lembranças, e tanta lucidez, e tantas esperanças. (Só tenho a agradecer.)

segunda-feira, agosto 15, 2016

Mesmo por amor



Mesmo por amor. Palavras complicadas. Um gole de café, amargo e quente. Mais amargo que quente, mas penso que a vida é assim mesmo, uma mistura de amargor, com um gosto doce no final. Mas há quem diga, que sem o amargo o doce não pode ser tão doce. E eu acredito, aproveitando assim um pouco mais do sabor das coisas, sabendo que então, tudo melhora uma hora dessas qualquer, quando a gente deixa de vigiar o coração e sente-o apenas bater. compassado e calmo, como deve ser.

sexta-feira, julho 15, 2016

Futuros Amantes







"Eu tava mexendo no violão, começando a fazer a melodia, e a primeira imagem que apareceu foi exatamente esta: uma cidade submersa, isolada de tudo. Porque, cantarolando, parecia que a música queria dizer isso. Eu tinha que ir atrás da explicação dessa cidade submersa. Aí eu coloquei os escafandristas, e surgiu a história de um amor adiado, um amor que fica para sempre. Essa idéia do amor como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça. Passa-se o tempo, passam-se milênios, e aquele amor ficará até debaixo d’água. Um amor que vai ser usado por outras pessoas, um amor que não foi utilizado porque não foi correspondido, e então ele fica ímpar, pairando… Esperando que alguém o apanhe e complete a sua função de amor."



Sábios em vão tentarão decifrar o eco de antigas palavras, fragmentos de caras, poemas, mentiras, retratos: vestígios de estranha civilização.





Retirado daqui.

sexta-feira, novembro 07, 2014

Sonhos

Recentemente minha querida mãe quebrou o fêmur. Como todo o processo foi rápido (Graças a Deus), nós passamos 4 noites no hospital, sendo uma delas na emergência. Depois desses dias, sonhei umas vezes com o hospital. Sonhei que passei muitos dias por lá, e acabei fazendo amigos. E alguns desses amigos eram os cães que  moravam lá (sim, algo surreal, porque na realidade, o hospital não abriga cachorros). Em um dado dia, em que eu passeava por eles tranquilamente, eles resolveram me atacar. Correram até mim com essa intenção, e eu não entendia porque cachorros que até então tinham se dado bem comigo, mudaram de ideia, e passaram a ter a intenção de me machucar. Fui salva por alguns funcionários.
Eu fico encucada com sonhos, mas eu deveria mesmo ter jogado no bicho. Por outro lado, penso que esse sonho pode ter a ver com relações onde a confiança se quebra, onde há traição, e você não entende muito bem, o porque de as coisas terem tomado rumos tão estranhos. 

domingo, outubro 26, 2014

Eu disse que os dias passaram tal qual inferno astral. Apressados, cheio de detalhes que eu não percebi, cheio de coisas que abandonei, cheio de sorrisos que eu não dei, olhares que eu não troquei, gentilezas que não fiz; mas cheio, cheio das lágrimas que eu chorei, em todas as praças da cidade, todos os cantos, todos os bancos, enquanto eu divagava ao sol do meio dia; meio dia esse, que cheirava a azeite velho no tacho da baiana. 

terça-feira, outubro 14, 2014

Salvador, Bahia




Saí de casa cedo. As circunstâncias me foram cruéis, então, 8:20h eu já estava na Barra. Sentei-me na padaria, e tomei mais um café. Esperei o shopping abrir, entrei, rodei, comi torta. Desci para o Farol. A praia estava especialmente linda. Segunda-feira de sol intenso, e mar vazio. Momentos como esses, nos dão certezas: ser feliz não é tão difícil. Mas, enfim. Escolhi uma cadeira, sentei. Tomei sol, contemplei o mar, li algumas páginas de um livro. Deixei a tarde chegar, me encaminhei para o Centro da cidade, lugar que eu amo. Fui tomar o sorvete de brownie da Cubana. Realmente, ser feliz não pode ser tão difícil, quando a gente tem sorvete de tapioca tão pertinho. Mas hoje eu senti solidão, e eu não sei porque ela tem se chegado assim, tão sempre, se esfregando em meu peito, impregnando minhas narinas de seus odores, pra me sufocar. 

segunda-feira, julho 21, 2014

domingo, junho 22, 2014

I'll be hunting high and low


Fui correndo a Salvador. Cover de The Smiths num bar da cidade pra comemorar o aniversário de um amigo. Éramos 3. Três mosqueteiros, a cruzar a noite, insólita, bebendo aqui e ali, caçando diversão. A chuva deu uma trégua na noite, e a capital, mesmo invernal, não faz frio. Noite perfeita pra perder o sono, pra perder o senso, deslizar pela noite sem lua, calçar aquele salto - que dá vontade de tirar, e dançar de olho fechado ouvindo A-Ha...

quinta-feira, maio 29, 2014

Maio despedaçado


Café fumegando na xícara vermelha da minha mãe. Hoje decidi não tomar o ansiolítico, acompanhante das últimas noites. Ele me deixa dopada e esquecida, e é fato, gosto de registrar os acontecimentos. Precisava lembrar. Maio passou. Meio como os outros meses. Meio duro, meio frio, meio aço cortante. Tomei tarja preta pela primeira vez, e dormi 11h ininterruptas. Liguei para um rapaz, chamei-o pra sair, ele disse não. Vale dizer, que ele já havia manifestado verbalmente, o desejo de ficar comigo, e já tínhamos nos beijado dias antes. Reiterei o pedido, e a resposta obtida foi a mesma. Fui na formatura do meu melhor amigo, encontrei aquele que foi o meu melhor namorado: nos beijamos. Meio sonho, meio fantasia, meio aquele amor que nunca acaba, que fica arrumando jeitos para se perpetuar, e o destino, e o universo conspirando pra a gente não deixar de se amar.



(A imagem eu retirei daqui: http://juhmis.wordpress.com/ )

terça-feira, março 25, 2014




Podiam até dizer que era ressaca. Mas era amor.

sábado, março 15, 2014



Ainda estou com o coração na mão. Andei temendo encontrá-lo na rua. Mesmo. Medo da minha reação, ou da nossa. Eu não fiquei bem, mas me refaço. Só acho que o último encontro deixou um gosto amargo, que em nada pode se comparar com o chocolate 85% que você gosta. Amargo pior que jiló. 

domingo, março 09, 2014

Os segredos que eu não conto

(ou Coisas que ninguém entende)


Que eu mergulho em paixões diversas. 
Que meu peito palpita e enlouquece. 
Que a vida alheia me interessa - Que segredos trazem, que histórias tiveram? Em quais lugares passaram e quais as impressões da vida que ficaram. 

Que eu insisto em paixões. 
Que depois de deprimida, me agarro a elas. É questão de sempre. Caso clínico, necessito de médicos, remédios, terapia. Sempre precisei, e mais. Negligenciei. 

Que eu insisto em paixões, parte das quais não proporcionam futuro algum. E mais algumas, não me dão certeza de nada (e eu não falo só de homens). 

Que Belchior me define, Marina me excita. Gil me acalma. Rita Lee me fala dos dias jovens. 

Que eu morro muito todos os dias. E que renasço também.
Isso também é paixão. É fênix, é mito. 

Faz parte dos meus segredos, este meu mundo paralelo. Um  viver de coisas que só existem pra mim. São 10 mil flores brotando do chão a cada minuto, inundando. E elas brotam, desesperadas em busca de sol, de luz, do vento, do que as faça viver. O chão úmido. São mais umas mil flores entrando em mim, perfumando. Falo de um sol que aquece a pele, que doura caminhos. Caminhos de terra, de pedrinhas minusculas, roladas. O cheiro da terra no ar, mas o perfume suave das gérberas coloridas ao redor é apaixonante. De pés no chão pra sentir a terra. Vento e chuva. 


Que eu mergulho em mim mesma e fico introspectiva. Que eu mergulho em mim mesma, e desperto meu lirismo, observo as brigas recentes em casa, a queda que eu tomei na ladeira do alberto passos, todas as minhas idas ao supermercado.

Que quando eu mergulho em mim mesma, eu sinto que minha vida será breve. 

sábado, fevereiro 08, 2014



Há dores que só cessam com morfina.

terça-feira, outubro 11, 2011

Outubro



eu quero esse outubro rosa.
que seja azul, verde, amarelo.
que seja de paz, branco, negro, tanto faz.

eu quero cores.

@azulrasgado

sexta-feira, julho 15, 2011




E se o tempo dissesse quem realmente somos? 
O que pensamos realmente, o que queremos.
E sabes de uma coisa? Existe uma beleza peculiar em quereres, em não sabermos, em desencontros.
E o tempo, e o brilho, e o tempo… Não sei falar de amores e desejos. 
Só sei que as coisas conspiram, o tempo está sempre a favor.


@azulrasgado

quarta-feira, junho 29, 2011

Excertos




E eis que depois de uma tarde de quem sou eu e de acordar a uma hora da madrugada em desespero. Eis que as três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar. Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida mas, por enquanto, olha pra mim, e me ama! Não! Tu olhas pra ti e te amas.
É o que está certo.

(Trecho de água viva - Clarice Lispector)

@azulrasgado

terça-feira, abril 12, 2011



tem um lado meu que sempre me diz pra manter os pés no chão. 
talvez não seja hora de voar agora.








100º postagem do Humanos Hedonistas, e a 1ª que faço especialmente pra esse blog. 
Abraços. 
@azulrasgado

quarta-feira, abril 06, 2011



As vezes você se permite reviver, só pra saber se todo aquele envolvimento era real, se o carinho era verdadeiro, e se era tudo muito bom assim como parecia. Mas não, não era bom, nem sincero, veio para a coleção de Coisas Desnecessárias na Minha Vida.






@azulrasgado

quarta-feira, março 30, 2011

workaholic

Como dizia a Dani ser workaholic hoje é que é divertido. As pessoas se vangloriam, e se envaidecem, e esfregam na nossa cara: "haha, eu trabalho mais do que você. Eu estudo mais do que você, eu simplesmente não tenho tempo". Na minha vidinha pacata, onde primo por ter tempo pra as minhas coisinhas banais, às vezes me sinto na contramão. Uma conversa no fim do dia, uma passada na padaria, aula de violão, ao invés de inglês, sentar no barzinho e tomar um refri ou um sorvete, e ficar observando os minutos e as pessoas passarem. Ter tempo de ir na igreja e ir pra balada. Ver os programinhas toscos do Discovery H&H, ou mesmo ler meus blogs favoritos.

Não acho graça nessa vida corrida. Mas, talvez, no final, os felizes sejam realmente eles, que conquistaram logo tudo o que sonharam.
Mas, como disse a Dani nesse post aqui Ynterrogações da Geração Y : É a época em que se sentir bem é o que importa, o outro, nem tanto. Mas eu aprendi que eu não preciso ter pressa, e que eu devo cultivar coisas boas. E pra cultivar, eu preciso de tempo: plantar, regar e esperar nascer. E mais, cuidar para que não morra, mas para que floresça.

Eu quero isso pra mim, e quero isso pra você também. Eu quero viver assim.

quarta-feira, março 02, 2011





e toda paciência que eu aprendi a ter… sempre serve e sempre servirá.
nem tudo precisa de urgência. tem coisas que precisam de tempo.


@azulrasgado