quarta-feira, junho 29, 2011

Excertos




E eis que depois de uma tarde de quem sou eu e de acordar a uma hora da madrugada em desespero. Eis que as três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar. Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida mas, por enquanto, olha pra mim, e me ama! Não! Tu olhas pra ti e te amas.
É o que está certo.

(Trecho de água viva - Clarice Lispector)

@azulrasgado

sexta-feira, maio 27, 2011

Os desastres de Sofia


"Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto — uivaram os lobos, e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir..."

(Excerto de "Os desastres de Sofia", Clarice Lispector)


@humanhedonistas

terça-feira, abril 26, 2011

As horas


A sala de estar em tons nude esconde por trás dessa sobriedade espetacular as manchas de sangue e lágrimas que escorreram dos meus olhos e do meu coração, desesperados, de notícias suas. Enquanto seus braços, rijos e longos, encontravam em outros corpos, o cheiro agridoce do desejo passageiro, pura carnificina para um final desolé e amargurado. Poderia ter mentido, ainda omitindo quaisquer realces em tons de pele avermelhados, de batons borrados, negaria uma vez, olhando meus olhos, e sob sucessivas perguntas – tem algo a me dizer? – confessaria, arrependido, sobre as noites ao luar. E eu ficaria miudinho, semente de girassol, sem saber para onde olhar, as esquinas vazias, o aroma da cerveja quente na mesa, perdido em horas que não passam, que não passam, que não passam...



terça-feira, abril 12, 2011



tem um lado meu que sempre me diz pra manter os pés no chão. 
talvez não seja hora de voar agora.








100º postagem do Humanos Hedonistas, e a 1ª que faço especialmente pra esse blog. 
Abraços. 
@azulrasgado

quarta-feira, abril 06, 2011



As vezes você se permite reviver, só pra saber se todo aquele envolvimento era real, se o carinho era verdadeiro, e se era tudo muito bom assim como parecia. Mas não, não era bom, nem sincero, veio para a coleção de Coisas Desnecessárias na Minha Vida.






@azulrasgado

quarta-feira, março 30, 2011

workaholic

Como dizia a Dani ser workaholic hoje é que é divertido. As pessoas se vangloriam, e se envaidecem, e esfregam na nossa cara: "haha, eu trabalho mais do que você. Eu estudo mais do que você, eu simplesmente não tenho tempo". Na minha vidinha pacata, onde primo por ter tempo pra as minhas coisinhas banais, às vezes me sinto na contramão. Uma conversa no fim do dia, uma passada na padaria, aula de violão, ao invés de inglês, sentar no barzinho e tomar um refri ou um sorvete, e ficar observando os minutos e as pessoas passarem. Ter tempo de ir na igreja e ir pra balada. Ver os programinhas toscos do Discovery H&H, ou mesmo ler meus blogs favoritos.

Não acho graça nessa vida corrida. Mas, talvez, no final, os felizes sejam realmente eles, que conquistaram logo tudo o que sonharam.
Mas, como disse a Dani nesse post aqui Ynterrogações da Geração Y : É a época em que se sentir bem é o que importa, o outro, nem tanto. Mas eu aprendi que eu não preciso ter pressa, e que eu devo cultivar coisas boas. E pra cultivar, eu preciso de tempo: plantar, regar e esperar nascer. E mais, cuidar para que não morra, mas para que floresça.

Eu quero isso pra mim, e quero isso pra você também. Eu quero viver assim.

terça-feira, março 08, 2011

Com que frequência acontece o novo?


E todo o meu olhar, agora, era aquele caminho de girassóis em sua direção, refazendo estradas que já passei. Como poderia repetir os fatos, as mesmas situações? Se até ontem, a noite demorava a passar e o dia amanhecia acinzentado como qualquer manhã de inverno que ainda não chegou... Fico quieto, vendo sua foto na tela, gravada num arquivo em jpg. E juro para mim mesmo: só mais uma vez, só dessa vez. E vou me entregando aos poucos, em mensagens SMS.