terça-feira, abril 26, 2011

As horas


A sala de estar em tons nude esconde por trás dessa sobriedade espetacular as manchas de sangue e lágrimas que escorreram dos meus olhos e do meu coração, desesperados, de notícias suas. Enquanto seus braços, rijos e longos, encontravam em outros corpos, o cheiro agridoce do desejo passageiro, pura carnificina para um final desolé e amargurado. Poderia ter mentido, ainda omitindo quaisquer realces em tons de pele avermelhados, de batons borrados, negaria uma vez, olhando meus olhos, e sob sucessivas perguntas – tem algo a me dizer? – confessaria, arrependido, sobre as noites ao luar. E eu ficaria miudinho, semente de girassol, sem saber para onde olhar, as esquinas vazias, o aroma da cerveja quente na mesa, perdido em horas que não passam, que não passam, que não passam...



2 comentários:

Luciana disse...

Quanto amor pude sentir ao ler isso...
Quanto ciúme,medo da perda,dor...

LINDO!

Esyath Barret disse...

Poderiam ter dito, contradito, confessado, omitido, se arrependido... Mas a triste verdade é que como poderia ter sido geralmente é como não foi... Como realmente foi por vezes dói muito mais do que pensamos que doeria...
É doloroso pensar que a traição existe e se entrelaça na rede da mentira e da dor...

Beijos (Des)conexos!