E se o tempo dissesse quem realmente somos? O que pensamos realmente, o que queremos. E sabes de uma coisa? Existe uma beleza peculiar em quereres, em não sabermos, em desencontros. E o tempo, e o brilho, e o tempo… Não sei falar de amores e desejos. Só sei que as coisas conspiram, o tempo está sempre a favor.
E eis que depois de uma tarde dequem sou eue de acordar a uma hora da madrugada em desespero. Eis que as três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar. Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida mas, por enquanto, olha pra mim, e me ama! Não! Tu olhas pra ti e te amas.
"Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto — uivaram os lobos, e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir..."
(Excerto de "Os desastres de Sofia", Clarice Lispector)
A sala de estar em tons nude esconde por trás dessa sobriedade espetacular as manchas de sangue e lágrimas que escorreram dos meus olhos e do meu coração, desesperados, de notícias suas. Enquanto seus braços, rijos e longos, encontravam em outros corpos, o cheiro agridoce do desejo passageiro, pura carnificina para um final desolé e amargurado. Poderia ter mentido, ainda omitindo quaisquer realces em tons de pele avermelhados, de batons borrados, negaria uma vez, olhando meus olhos, e sob sucessivas perguntas – tem algo a me dizer? – confessaria, arrependido, sobre as noites ao luar. E eu ficaria miudinho, semente de girassol, sem saber para onde olhar, as esquinas vazias, o aroma da cerveja quente na mesa, perdido em horas que não passam, que não passam, que não passam...
tem um lado meu que sempre me diz pra manter os pés no chão. talvez não seja hora de voar agora.
100º postagem do Humanos Hedonistas, e a 1ª que faço especialmente pra esse blog. Abraços. @azulrasgado
quarta-feira, abril 06, 2011
As vezes você se permite reviver, só pra saber se todo aquele envolvimento era real, se o carinho era verdadeiro, e se era tudo muito bom assim como parecia. Mas não, não era bom, nem sincero, veio para a coleção de Coisas Desnecessárias na Minha Vida.